Dormir bem é um dos maiores desafios para as famílias que convivem com o autismo ou a síndrome de Down. E parece que é só chegar janeiro para o que já era difícil, ficar ainda mais complicado. As luzes ficam acesas até mais tarde, os horários da escola desaparecem e, de repente, as noites viram uma batalha contra a agitação.
Se você está passando por isso agora, saiba que não é falta de limite ou “birra”. Existe uma explicação biológica e sensorial para o sono desregulado tanto nessa época do ano.
O que acontece lá dentro?
Muitas pessoas neurodivergentes têm uma produção diferente de melatonina, aquele hormônio que avisa ao cérebro que é hora de “desligar”. No verão, com os dias mais longos e o sol brilhando até tarde, esse aviso demora ainda mais para chegar.
Além disso, o cérebro autista ou com síndrome de Down têm mais dificuldade para filtrar o que acontece em volta. Se o vizinho está fazendo barulho, se o quarto está quente ou se o dia foi agitado demais, o sistema nervoso continua em alerta. É como se o corpo estivesse exausto, mas o cérebro não conseguisse encontrar o botão de “off”.
O efeito das férias
A rotina não serve só para organizar o dia; ela serve para acalmar. Quando as aulas param, o cérebro perde aquelas pistas seguras que indicam o que vem a seguir.
As viagens, os passeios em lugares cheios e até o tempo maior nas telas geram um “cansaço sensorial”. Diferente do cansaço físico, esse esgotamento deixa a criança (ou o adulto) irritada e ligada no 220v, o que impede o relaxamento na hora de deitar.
Como tentar resgatar o descanso?
Não precisamos esperar as aulas voltarem para todo mundo conseguir dormir melhor. Algumas mudanças simples no ambiente ajudam muito:
- Crie um ritual de desaceleração: Pelo menos uma hora antes da cama, diminua as luzes e desligue as telas. Vale trocar o agito por uma música suave, uma massagem ou uma leitura tranquila.
- Atenção ao calor: O verão brasileiro é um desafio para quem tem sensibilidade tátil. Um quarto mais fresco e lençóis de algodão leve ajudam o corpo a não se sentir “preso” ou incomodado.
- Mantenha pequenas âncoras: Mesmo sem escola, tente manter o horário do banho e das refeições parecido com o de costume. Isso dá uma sensação de segurança.
- Conforto é tudo: Às vezes, o peso de um cobertor mais firme ou um pijama sem etiquetas é o que separa uma noite de choro de uma noite de sono real.
O apoio terapêutico faz diferença
Muitas vezes, essa dificuldade para dormir vem de uma desorganização sensorial que precisa de um olhar profissional.
No Espaço Modular, a Terapia Ocupacional ajuda a organizar esses estímulos para que o corpo aprenda a relaxar. A Psicologia também entra como parceira para ajudar a família a criar rituais que façam sentido, sem pressão e com muito acolhimento.
Dormir bem é saúde para quem é cuidado, mas também para quem cuida. Se as noites por aí estão pesadas, lembre-se que você não precisa resolver tudo sozinho. Estamos aqui para ajudar sua família a encontrar esse equilíbrio.