Uma das maiores angústias que acompanham a maternidade e a paternidade logo nos primeiros anos de vida da criança é o desenvolvimento da fala. Você vai ao parquinho, vê outras crianças da mesma idade formando frases, e percebe que o seu filho ainda só balbucia ou se comunica por choros e gritos.
Nessa hora, o coração aperta e você corre para o Google. E é bem provável que você já tenha ouvido de parentes ou amigos a famosa frase: “Fica tranquila, cada criança tem seu tempo. O tio dele só foi falar com 4 anos!”
Mas até que ponto a gente deve esperar esse “tempo”? E quando o atraso na fala é, de fato, um sinal de autismo?
A diferença entre falar e se comunicar
Antes de pensarmos em autismo, precisamos observar algo muito importante: a fala é apenas uma das formas de comunicação. Antes de dizer a primeira palavra, o bebê se comunica de várias outras maneiras.
Observe o dia a dia do seu filho e faça estas perguntas a si mesma:
- Quando ele quer um brinquedo que está no alto, ele aponta com o dedinho ou ele pega a sua mão e te leva até lá como se a sua mão fosse uma ferramenta?
- Quando você o chama pelo nome, ele olha para você?
- Ele imita os seus gestos, como dar “tchau” ou mandar beijo?
- Ele sorri de volta quando você sorri para ele?
Se a criança não fala, mas aponta, faz contato visual, brinca de forma criativa e interage com as pessoas, o atraso pode ser apenas uma questão fonoaudiológica. No entanto, se junto com a falta de fala, você percebe que a criança prefere brincar sozinha, não responde ao próprio nome e tem dificuldade de olhar nos olhos, esses são sinais de alerta que precisam de atenção.
O perigo de esperar pelo “tempo da criança”
É verdade que cada criança é única e tem o seu próprio ritmo. Mas a ciência do desenvolvimento infantil tem marcos que servem como um mapa de segurança. Esperar tempo demais para buscar ajuda significa perder uma janela preciosa do cérebro infantil chamada neuroplasticidade.
Nos primeiros anos de vida, o cérebro da criança é como uma esponja, extremamente rápido para criar novas conexões e aprender. Quando percebemos um atraso e entramos com a estimulação correta precocemente, as chances de desenvolvimento dessa criança saltam de forma maravilhosa.
Se não fala, é autismo?
Nem sempre! O atraso na fala pode acontecer por vários motivos. Pode ser uma questão de audição (como infecções de ouvido repetidas), pode ser um transtorno motor da fala (como a apraxia) ou pode ser apenas uma falta de estímulo adequado no ambiente.
O autismo é uma das possibilidades, mas o diagnóstico de autismo nunca é feito com base em apenas um sinal. Ele envolve a avaliação da comunicação, da interação social e da presença de comportamentos restritos e repetitivos.
Qual é o primeiro passo?
Se você está com essa pulga atrás da orelha, o seu instinto de mãe ou pai já está te dizendo que é hora de agir. Não espere a criança fazer 3 ou 4 anos para ver o que acontece.
O primeiro passo é buscar uma avaliação com um Fonoaudiólogo e relatar essas observações ao seu pediatra ou a um neuropediatra.
Aqui no Espaço Modular, nós entendemos perfeitamente o medo e as dúvidas que acompanham esse momento. Nossa equipe de fonoaudiologia e psicologia trabalha em conjunto para avaliar não apenas a boca e a voz do seu filho, mas a forma como ele se conecta com o mundo ao redor dele. Nós não olhamos apenas para o que falta; nós olhamos para todo o potencial que ele tem para desenvolver.
Seu filho tem muito a dizer, mesmo que as palavras ainda não tenham chegado. Estamos aqui para ajudar vocês a encontrarem essa voz, com todo o acolhimento e respeito que a sua família merece.