O entendimento sobre o autismo tem avançado muito nos últimos anos, mas ainda existem lacunas importantes quando se trata do autismo em meninas. Por muito tempo, os critérios diagnósticos foram baseados em perfis predominantemente masculinos, o que dificultou a identificação precoce em meninas e mulheres.
Um estudo recente realizado pela Universidade da Califórnia (UC Davis) contribuiu para ampliar esse debate. Pesquisadores analisaram exames de neuroimagem de mais de 400 crianças, entre 2 e 13 anos, e observaram diferenças marcantes no desenvolvimento cerebral entre meninas e meninos autistas.
Nos resultados, verificou-se que o córtex cerebral das meninas autistas tende a ser mais espesso nos primeiros anos de vida e passa por um afinamento mais rápido ao longo do tempo. Essa trajetória difere do padrão observado em meninos e pode estar relacionada à forma como o autismo feminino se manifesta no comportamento e nas interações sociais.
Por que o diagnóstico em meninas costuma ser tardio?
As diferenças biológicas identificadas ajudam a compreender por que tantas meninas autistas recebem o diagnóstico apenas na adolescência ou vida adulta. Enquanto nos meninos o autismo frequentemente se expressa em sinais mais evidentes de dificuldade de interação social ou interesses restritos, nas meninas esses sinais podem ser mais sutis.
Muitas delas desenvolvem estratégias de adaptação conhecidas como camuflagem ou mascaramento. Trata-se de um esforço consciente ou inconsciente para imitar comportamentos sociais considerados “típicos”, o que reduz a percepção de que há algo diferente acontecendo. Essa habilidade, no entanto, cobra um preço alto: pode gerar exaustão emocional, ansiedade e baixa autoestima, além de retardar o acesso a intervenções adequadas.
Essa realidade reforça a importância de profissionais de saúde capacitados para reconhecer sinais menos evidentes, assim como da escuta atenta da família e da escola, que são fundamentais na observação cotidiana do desenvolvimento infantil.
A importância de um olhar inclusivo e sensível
O autismo é um espectro amplo e diverso, e cada pessoa apresenta sua própria forma de viver e perceber o mundo. No caso das meninas, compreender suas particularidades é essencial para que tenham acesso a diagnósticos mais precisos, a terapias adequadas e a um ambiente que favoreça seu pleno desenvolvimento.
Reconhecer que o autismo pode se manifestar de formas distintas entre meninos e meninas é também um passo para combater estereótipos e promover uma sociedade mais inclusiva.
No Espaço Modular, acreditamos que cada história merece ser vista em sua singularidade. Nosso compromisso é oferecer um acompanhamento baseado em evidências científicas, aliado a um cuidado humano e empático com cada criança e sua família.
O autismo não tem uma forma única de existir. E é justamente essa diversidade que precisa ser respeitada e valorizada.